terça-feira, 12 de novembro de 2019



Como segundo locutor, entrevistamos uma mulher de 77 anos que nasceu no bairro, apesar de ter o pai húngaro e a mãe nascida na antiga Iugoslávia, retratando o caráter da grande presença de imigrantes no Brasil e consequente miscigenação cultural. Suas primeiras memórias datam da década de 50, quando as ruas ainda eram de terra. Concluiu somente o primário, chegando ao quarto ano. Não existiam muitas escolas no bairro, naquela época as famílias preocupavam-se com o sustento e as crianças começavam a trabalhar precocemente para ajudar em casa. Como primeiro contato com o colégio, ela estudou em uma pequena escola de madeira, construída ao lado de uma bica d’água, onde muitas pessoas iam também para buscar água, já que ainda não existia saneamento básico no local. Depois partiu para um colégio localizado dentro do terreno da Igreja Candelária e concluiu o primário no colégio João Vieira. Os colégios já eram escassos, sendo particulares era mais difícil ainda de se encontrar. Na época havia somente um colégio privado nas redondezas, um colégio católico conhecido como SION. A locutora informou que seu pai lhe deu a opção de continuar estudando ou decidir trabalhar (com costuras, por exemplo) mas como filha, ela sabia das necessidades da família e preferiu trabalhar. Identificamos um posicionamento diferenciado por parte do pai da entrevistada, visto que, dentro do conceito de sociedade patriarcal que a população vivia na época, dificilmente um pai daria à filha, mulher, o direito de escolher entre estudar ou trabalhar.

Segundo a entrevistada, muitos portugueses habitavam a Vila Maria, inclusive, havia uma casa que pertenceu ao Dom Pedro Primeiro e que, segundo especulações (que futuramente foram descartadas) ele utilizava para encontrar a Marquesa de Santos.

Nas noites de domingo, os jovens encontravam-se na Avenida Guilherme Cotching, uma conhecida avenida do bairro, para o chamado “foot”, uma espécie de ponto de encontro para confraternizar e flertar. No meio da avenida era colocada uma TV em que passavam comemorações de 7 de setembro, jogos de futebol entre outros entretenimentos.

A entrevistada demonstrou um tom saudoso ao tratar desta época de sua vida, tanto do bairro antigo quanto dos entes queridos que já partiram.

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