terça-feira, 12 de novembro de 2019

Nossa terceira e última entrevistada é uma mulher de 61 anos, que também nasceu no bairro da Vila Maria. Nesta entrevista retrataremos o bairro do final da década de 60 e início de 70. No que se refere às escolas da região, pudemos identificar maior número de colégios públicos, ela citou três que eram localizados próximos a sua residência, Escola Estadual Imperatriz Leopoldina, Dona Jenny Klabin Segall e Escola Estadual Júlio Maya. Ela estudou inicialmente no colégio popularmente conhecido como Imperatriz e, posteriormente, continuou sua formação no Klabin Segall. Relatou um caso que ocorreu no Klabin Segall que foi bastante impactante para a sociedade da época. Um garoto estava agredindo às meninas do colégio com um estilete. Normalmente utilizava o objeto cortante para perfurar as nádegas das garotas quando em movimento, e isso deixou as alunas e os respectivos pais bastante preocupados. Muitas moças deixaram o estudo por receio de serem as próximas atacadas, outras tiveram grande incidência de falta e, quando iam, procuravam andar em grupos grandes para evitar que fossem pegas desprevenidas. O motivo e a identidade do agressor nunca tomaram conhecimento público. Este caráter agressivo mostra que, já naquela época, as mulheres não se sentiam seguras, pois acabavam por ser alvo de uma agressão desmotivada e que poderia ser até mesmo tratada como brincadeira pelo agressor. O fato de não terem descoberto o autor das agressões agravou o sentimento de impunidade diante de uma atitude tão desrespeitosa com as mulheres. Mais tarde, o colégio Jenny Klabin Segall fechou. Quanto aos colégios particulares, na Vila Maria ainda existia somente o SION, e no Parque Edu Chaves, bairro vizinho, uma nova escola estava sendo inaugurada, Externato São Judas Tadeu.

        Centro Educacional e Esportivo Thomaz Mazzoni

Fonte: 


Segundo os relatos da locutora, a Vila Maria começou a ser asfaltada em 1968, inclusive a ponte da Vila Maria que passou a ser de Concreto e não mais de madeira. Havia hospitais no bairro e para ela foi um prazer assistir ao progresso chegando à vizinhança. Junto com o asfaltamento foi inaugurado o Centro Educacional e Esportivo Thomaz Mazzoni, onde os alunos passaram a praticar as aulas de educação física, aulas de diversas modalidades esportivas eram oferecidas gratuitamente, as apresentações aconteciam no ginásio do clube e o espaço acabou por tornar-se um ponto de encontro para a juventude. Havia também o Cine Singapura como fonte cultural e de entretenimento. A Biblioteca Álvares de Azevedo já havia sido fundada em 1956, mas foi muito utilizada pela entrevistada para seus trabalhos estudantis. Apesar de o acesso à informação ser muito maior nos dias atuais do que antigamente, ela ressaltou o caráter humano da biblioteca, o encontro dos estudantes para elaboração de pesquisas, o auxílio das bibliotecárias. Ela alegou ser “bonito de se ver” os jovens em busca do conhecimento.

                      Biblioteca Álvares de Azevedo

Fonte:



Quanto ao poder aquisitivo, a sociedade desse período trazia uma mescla social maior. Os colegas da entrevistada pertenciam à diversos níveis sociais, e estudar em escola pública não era um problema para os de poder aquisitivo superior. Entretanto, a maior parte dos alunos ainda pertencia à classe baixa.

A entrevistada ficou muito feliz de participar da entrevista, ela resgatou memórias queridas e de ótimos momentos.

Um comentário:

  1. Vocês conseguem disponibilizar o vídeo da entrevista. Seria interessante para atender a proposta da pesquisa.

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